domingo, 10 de janeiro de 2010

Sobre Adolescentes e Responsabilidades

Você se acha maduro? Você se acha preparado para tudo que você está vivendo? Começo meu primeiro texto desse blog com essa pergunta, pois na última reunião da turma, um colega de classe (às quatro da manhã e dentro de uma piscina), no dia do seu aniversário de vinte anos tentava argumentar para mim que ele era um ser muito maduro, que era mais maduro que eu. Enquanto ele argumentava, eu chegava à conclusão que eu não era nada maduro realmente nadinha. Não que eu estivesse escutando os complexos argumentos dele, mas sim porque eu era exatamente igual a ele. Mais importante que isso, por que também tinha os mesmos vinte anos. Pensando sobre maturidade, eu comecei a pensar se eu era realmente maduro o suficiente para ser um estudante de medicina (dessa vez, já estávamos fora da piscina, esperando um tempo para podermos entrar no carro enquanto discutíamos sobre outro colega que tinha exagerado um pouco no álcool). Será que eu tinha maturidade o suficiente para lidar com a responsabilidade de aprender a ser médico ou eu ainda pensava que eu tinha que estudar porque se eu n estudasse minha mãe poderia brigar comigo? Será que eu estou preparado para encarar os pacientes da forma correta sem que eles me façam perder o controle?
Lembrei-me, então do meu primeiro dia de aula. Certamente eu era uma criança infinitamente feliz, um menino careca e um bocado perdido naquele mundo que parece tão grande. Mas, apesar de universitário, eu ainda era um garoto doido pra chegar em casa e contar as novidades do dia para meus pais na mesa de almoço. Lembrei-me, também (já chegando em casa e após um sermão da minha mãe),que por mais insensível que seja a pessoa (ou seja, mesmo os projetos de ortopedistas e patologistas), algumas coisas simplesmente ficam marcadas. Ao contrário do que se imagina, o primeiro grande choque que sofre o estudante de medicina não é ter contato com cadáveres, mas sim observar que aquele contato tornou-se algo normal; nada causa mais confusão a um estudante que o momento em que ele está no laboratório de anatomia estudando, segurando uma peça e ele nota que aquilo se transformou realmente apenas uma peça. Depois disso, muitos são os choques que vão lentamente acontecendo; o encontro com seu animal de estimação depois de ter sacrificado um cachorro na aula de fisiologia, sentir-se incapaz em um pronto-socorro, não entender o mundo de um paciente psiquiátrico e, claro, morte. Normalmente, quando eu penso nesses fatos, a única dúvida que me vem é: Eu os encarei de forma correta?
Tudo isso pode parecer excessivamente dramático, e realmente é. Mas isso é como se vê a vida aos vinte anos: tudo, e principalmente os dramas, são muito aumentados. Sobriedade é algo raro. E são esses pequenos (minha mãe costuma dizer que nossa geração não é mais tão pequena) adolescentes que entram para um curso de medicina. Normalmente sem nem sequer saber direito o que quer fazer da vida.
Por outro lado, talvez esse seja o grande charme que tanto atrai os estudantes de medicina e que transforma nosso curso em nossa vida (acho que isso pode virar o próximo texto). Talvez viver em um mundo que você não consiga entender e dominar tenha sim certo charme. Ou talvez eu simplesmente não seja maduro suficiente para entender isso.

2 comentários:

  1. rapaz, olha só quem tem blog...

    Felipe, meu caro, isso foi bastante dramático!
    Não existe uma forma correta de encarar o mundo, improvisa ou tu nunca vai estar pronto.

    e boa sorte aqui =D

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