Bem, no ultimo post tinha prometido um clima alegre no post de hoje, mas na verdade, hoje estou um pouco nostálgico, afinal estou acabando de chegar do meu ultimo plantão oficial no Hospital do Satélite. Definitivamente, sentirei saudades e para me despedir, para o post de hoje escolhi um tema recorrente naquele hospital: a difícil comunicação entre médico e pacientes.
Em matéria de linguagem, dois momentos são chocantes para o aluno de medicina. O primeiro deles é o contato inicial com a língua médica. Para um estudante do ensino médio que achava eritroblastose a palavra mais complexa do mundo, ver todos aqueles termos da nômina anatômica é desesperador. Mas, de fato, o mais desesperador é quando você volta ao mudo real. Depois de uns três anos convivendo exclusivamente em um ambiente acadêmico, sendo diariamente bombardeado com termos que a maioria da população não faz nem ideia que existe e crucificando um professor que em um lapso solta um “seje”, o aluno de medicina é jogado de volta para o mundo real. Quando menos se espera, te colocam em uma sala atendendo pacientes cuja escolaridade muitas vezes não passa da quarta série, ou, como eles mesmos se definem, pacientes “rudos”.
Claro, nesses tempos de estudante já vi coisas bem interessantes. Pelos meus ouvidos já passaram clássicos como a grave doença dos rins chamada rinite e a mais grave e misteriosa das doenças pediátricas; aquela que só é curada com reza forte e o único meio profilático efetivo é a fita vermelha no braço: o quebranto. Mas hoje, passaram por mim pessoas com queixas interessantes e especialmente hoje eu fiz questão de tomar nota.
A primeira delas era uma mulher de trinta e poucos anos que tinha uma das faces deixa o médico tocado: uma mistura de dor e vergonha que acompanhado de um caminhado lento e cuidadoso é quase patognomônico de bartholinite. A queixa dessa paciente não podia ser diferente, afinal o principal problema da bartholinite é... a dor na perseguida (pirsiguida, para alguns). Confesso que na primeira vez que escutei esse termo fiquei me perguntando qual seria sua origem, mas na verdade não foi preciso muito raciocínio para chegar a uma conclusão, acho que a maioria de vocês já entendeu. Né?
Outros dois paciente me apareceram com uma queixa bem comum: naiscidas. Doença que para alguns médicos metidos a besta é um simples abcesso subcutâneo. Seria trivial se não fosse o fato que ambos vieram com alguns detalhes. O primeiro deles me tomou uma meia hora de explicação sobre a drenagem e quando eu finalmente terminei, ele me perguntou se junto com o pus tinha saído também o sangue moído que tinha dentro também. Juro que não sei se corro risco de ser processado por ter dito que tinha tirado o tal sangue, sem nem sequer saber o aspecto desse tipo de sangue. O segundo paciente, por sua vez foi bem mais simples, afinal a naiscida dela já estava sarjada e eu não tive tanto trabalho com ela.
Apesar de hoje ter terminado esse meu estágio, como um bom médico piauiense, nordestino, meio correntino, ainda me resta a certeza que muitas expressões como essa me aparecerão. Ou melhor, como as coisas do mundo andam hoje, só me resta torcer para que essa língua nossa e só nossa não se acabe e continue me surpreendendo pratica médica adentro.
Té mais vê
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Sobre Jumentas e angustias
Sinceramente, meus textos estão sendo postados com uma frequência tão aleatória que eu vou desistir de postar os tradicionais pedidos de desculpas iniciais. De agora em diante, está implícito em todo começo de texto meu esse pedido de desculpas.
Passando para o que realmente interessa. Essa semana um fato me fez lembrar um detalhe interessante. Os grandes, e por vezes chatos, especialistas em educação médica comentam sempre a falta de preparo acadêmico para a aceitação da morte como um processo natural da vida, como uma consequência óbvia dela. Talvez eles falem tanto que a maioria de nós já esteja pouco a pouco procurando entender isso, mas uma está sendo esquecida, algo que não é tão natural, mas seria algo tão comum quanto a morte: o nosso fracasso.
Essa semana, em um dos meus últimos plantões no Satélite (sim, isso também pode render muitos textos) eu recebi uma mãe e uma criancinha. O menino era uma criancinha sem muita simpatia e orelhar bem avantajadas, mas que não parecia tão chateado com o corte no braço; na verdade ele parecia mais entretido com as luzes da sala de sutura. Depois do bom e trabalhoso oficio de aprendiz de pediatra no qual eu passei cerca de dez minutos tentando convence-lo a me permitir fazer a sutura eu comecei o serviço. Obviamente, durante a anestesia eu perdi toda a credibilidade que eu havia conquistado e ele passou a chorar compulsivamente. Quando eu notava que era aproximadamente a metade do meu serviço, a mãe, até então muito calma, começou a gritar e dizer ia levar o filho dela embora porque eu estava “judiando” dele, que o menino estava sangrando e que se eu quisesse aprender a suturar eu deveria procurar uma jumenta e não os filhos dos outros. Obviamente, respirei fundo, expliquei os riscos que o menino corria se ele fosse embora sem a sutura e que ele não estava tendo nenhuma dor. Tentei mostrar pra ela que o choro do menino era justamente na hora que a agulha não estava cortando a pele. Enfim, fiz tudo que nos ensinam como técnicas para ter uma boa relação com pacientes e familiares. Para a minha surpresa, todas essas técnicas falharam e enquanto eu lavava minhas mãos a mãe saia batendo a porta e destruindo a reputação que um acadêmico já não tem em um corredor de hospital. Obviamente, reagi como em toda situação em que me sinto constrangido/triste/desconfortável/irritado/humilhado: fiz contei a todos o acontecido e fiz várias piadinhas... ri.
Agora, sem ninguém me olhando, sem a obrigação de mostrar que o episódio não me abalou eu começo a pensar quantos momentos parecidos com esse eu vou enfrentar durante minha vida, quantas vezes, apesar de eu fazer tudo certo tudo vai dar errado, ou ainda pior (como aconteceu naquele dia) tudo vai dar certo, e ainda assim vão me culpar por um erro que não existe. Apesar de ser esse cara tão conhecido por ser desastrado, será que eu sei trabalhar com esses tipos de derrotas? Confesso que isso tudo tira meu sono (no caso de hoje, literalmente, visto que são 04h30min da manhã). Espero ansiosamente o dia em que não vou rir quando algo assim acontecer.
Passando para o que realmente interessa. Essa semana um fato me fez lembrar um detalhe interessante. Os grandes, e por vezes chatos, especialistas em educação médica comentam sempre a falta de preparo acadêmico para a aceitação da morte como um processo natural da vida, como uma consequência óbvia dela. Talvez eles falem tanto que a maioria de nós já esteja pouco a pouco procurando entender isso, mas uma está sendo esquecida, algo que não é tão natural, mas seria algo tão comum quanto a morte: o nosso fracasso.
Essa semana, em um dos meus últimos plantões no Satélite (sim, isso também pode render muitos textos) eu recebi uma mãe e uma criancinha. O menino era uma criancinha sem muita simpatia e orelhar bem avantajadas, mas que não parecia tão chateado com o corte no braço; na verdade ele parecia mais entretido com as luzes da sala de sutura. Depois do bom e trabalhoso oficio de aprendiz de pediatra no qual eu passei cerca de dez minutos tentando convence-lo a me permitir fazer a sutura eu comecei o serviço. Obviamente, durante a anestesia eu perdi toda a credibilidade que eu havia conquistado e ele passou a chorar compulsivamente. Quando eu notava que era aproximadamente a metade do meu serviço, a mãe, até então muito calma, começou a gritar e dizer ia levar o filho dela embora porque eu estava “judiando” dele, que o menino estava sangrando e que se eu quisesse aprender a suturar eu deveria procurar uma jumenta e não os filhos dos outros. Obviamente, respirei fundo, expliquei os riscos que o menino corria se ele fosse embora sem a sutura e que ele não estava tendo nenhuma dor. Tentei mostrar pra ela que o choro do menino era justamente na hora que a agulha não estava cortando a pele. Enfim, fiz tudo que nos ensinam como técnicas para ter uma boa relação com pacientes e familiares. Para a minha surpresa, todas essas técnicas falharam e enquanto eu lavava minhas mãos a mãe saia batendo a porta e destruindo a reputação que um acadêmico já não tem em um corredor de hospital. Obviamente, reagi como em toda situação em que me sinto constrangido/triste/desconfortável/irritado/humilhado: fiz contei a todos o acontecido e fiz várias piadinhas... ri.
Agora, sem ninguém me olhando, sem a obrigação de mostrar que o episódio não me abalou eu começo a pensar quantos momentos parecidos com esse eu vou enfrentar durante minha vida, quantas vezes, apesar de eu fazer tudo certo tudo vai dar errado, ou ainda pior (como aconteceu naquele dia) tudo vai dar certo, e ainda assim vão me culpar por um erro que não existe. Apesar de ser esse cara tão conhecido por ser desastrado, será que eu sei trabalhar com esses tipos de derrotas? Confesso que isso tudo tira meu sono (no caso de hoje, literalmente, visto que são 04h30min da manhã). Espero ansiosamente o dia em que não vou rir quando algo assim acontecer.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Sobre Sexo e Suturas
Bem, meu atraso dessa vez foi tão absurdo q eu vou me abster de comentar, o que importa é que, pelo menos nos próximos quinze dias, eu acho que poderei viver um pouco. Sendo assim, aproveito para postar algo novo.
Na verdade, eu estou achando meu blog meio fora de moda, meio out, ou outch. O fato é que desde a Bruna Surfistinha a moda é blog sobre sexo. A onda agora é falar sobre os prazeres da carne, claro, de forma poética e de muito bom gosto. Se for isso que querem, vamos falar sobre virgindade, as virgindades de um estudante de medicina. Esse será o primeiro post dessa série certamente nada regular.
Para começar, a primeira sutura, certamente é algo como perder a virgindade. Começa que todos nós temos muita vontade de fazer nossa primeira sutura, apesar disso, morremos de medo de fazer tudo errado. Na hora, então, mais parecido ainda: trememos como varas verdes, fazemos tudo diferente do que planejamos, apesar de termos planejado muito e no fim das contas, o resultado sempre sai aquem do planejado e além do esperado. A coisa é tão tensa, que todos acabam tendo histórias sobre esse momento. Obviamente, eu, no melhor estilo “tudo de bizarro acontece comigo” também tenho histórias.
Lembro-me claramente da minha primeira sutura (falando assim eu pareço tão velho... mais especificamente aquele avô de desenho animado)... vendo hoje, depois que tudo passou e ficou tudo bem (espero que tenha ficado, porque eu nunca voltei pra ver como estava o paciente) parece até engraçado, mas na hora foi, no mínimo, desesperador, chego a sentir pena de mim quando relembro o momento.
Tudo começou com um telefonema de um tio meu perguntando se esse pequeno garoto que vos fala, então cursando o terceiro período já havia pagado técnica cirúrgica. Diante da minha negativa ela ficou em silêncio por alguns segundo... E perguntou se sobre anatomia. Agora diante da minha afirmativa (nossa... que menino adiantado, já pagou até anatomia) ele me convidou para auxiliar um(s) cirurgia(s) dele. Claro que eu não entenderia nada, mas eu aceitei sem pensar, afinal eu seria a pessoa mais importante do mundo quando chegasse no dia seguinte, na aula de micro, dizendo que tinha entrado em uma cirurgia.
Quando eu cheguei no Centro Cirúrgico (depois de apanhar muito para vestir a roupa), descubro que todos os presentes cirurgiões também precisavam de auxiliar. Obviamente, eu estava radiante, afinal eu não só estava auxiliando cirurgias, como eu que decidia quem seria operado, afinal, eu era o único auxiliar de uns quatro médicos. Talvez por pés na consciência, talvez pensando na possibilidade de precisar do meu auxilia novamente, ou simplesmente para ser legal, o fato é que quase todos os médicos foram muito atenciosos comigo. Me explicavam coisas que eu não fazia nem ideia do que queria dizer (tipo o melhor fio para cada plano, melhor região para cada incisão ou perigos de cada anestésico) mas eu fazia cara de compreensão e total domínio do assunto e todos ficam felizes.
Meu problema começou justamente uma da tarde (eu estava em pé desde as sete) quando eu entrei para o que seria a ultima cirurgia do dia com um cirurgião que definitivamente era o pior de todos. A cirurgia transcorreu em absoluto silêncio (tanto que nunca nem descobri que cirurgia era aquela). O silêncio só foi quebrado nos últimos minutos da cirurgia, quando a instrumentadora alfineta o cirurgião com algo sobre o fato de ele não ter me ensinado nada durante toda a cirurgia. Ele, calmamente, então resolveu me explicar como iria suturar a pele, que os pontos deveriam ser bem separados por causa d alto risco de infecção, tirou a luva, o capote e saiu do campo. Eu continuei calmamente olhando para a ferida e esperando ele voltar para fazer os tais pontos separados. Depois do trigésimo segundo, eu comecei a pensar que algo poderia estar errado, comecei a pensar que o cirurgião poderia não voltar e que talvez eu tivesse que fazer a porcaria dos pontos separados que evitariam infecção. Olhei desesperado para a técnica que, com cara de pena, perguntou minha experiência com suturas. Eu falei que toda a minha experiência consistia em fechar uma traqueostomia mal feita em um cachorro da fisiologia para a professora não brigar comigo. A técnica soltou um consolador “pois se vire”.
O fato é que eu fiz a tal sutura. Sobrevivi (espero que o paciente também) e recebi até um elogio do médico que passou de longe para ver como tinha ficado e comentar de novo sobre o fato dos pontos estarem separados. Depois dessa, alguma outras vieram. Já suturei mordida de porca prenha (o pontos também foram separados), já suturei enquanto minha paciente comentava sobre a bunda do meu auxiliar, vítimas de briga de gang, de torcida e, principalmente de casal (o homem, sempre). Posso não ser um cirurgião nato, mas histórias de sutura eu tenho. E agora que eu to no terceiro ano.
Na verdade, eu estou achando meu blog meio fora de moda, meio out, ou outch. O fato é que desde a Bruna Surfistinha a moda é blog sobre sexo. A onda agora é falar sobre os prazeres da carne, claro, de forma poética e de muito bom gosto. Se for isso que querem, vamos falar sobre virgindade, as virgindades de um estudante de medicina. Esse será o primeiro post dessa série certamente nada regular.
Para começar, a primeira sutura, certamente é algo como perder a virgindade. Começa que todos nós temos muita vontade de fazer nossa primeira sutura, apesar disso, morremos de medo de fazer tudo errado. Na hora, então, mais parecido ainda: trememos como varas verdes, fazemos tudo diferente do que planejamos, apesar de termos planejado muito e no fim das contas, o resultado sempre sai aquem do planejado e além do esperado. A coisa é tão tensa, que todos acabam tendo histórias sobre esse momento. Obviamente, eu, no melhor estilo “tudo de bizarro acontece comigo” também tenho histórias.
Lembro-me claramente da minha primeira sutura (falando assim eu pareço tão velho... mais especificamente aquele avô de desenho animado)... vendo hoje, depois que tudo passou e ficou tudo bem (espero que tenha ficado, porque eu nunca voltei pra ver como estava o paciente) parece até engraçado, mas na hora foi, no mínimo, desesperador, chego a sentir pena de mim quando relembro o momento.
Tudo começou com um telefonema de um tio meu perguntando se esse pequeno garoto que vos fala, então cursando o terceiro período já havia pagado técnica cirúrgica. Diante da minha negativa ela ficou em silêncio por alguns segundo... E perguntou se sobre anatomia. Agora diante da minha afirmativa (nossa... que menino adiantado, já pagou até anatomia) ele me convidou para auxiliar um(s) cirurgia(s) dele. Claro que eu não entenderia nada, mas eu aceitei sem pensar, afinal eu seria a pessoa mais importante do mundo quando chegasse no dia seguinte, na aula de micro, dizendo que tinha entrado em uma cirurgia.
Quando eu cheguei no Centro Cirúrgico (depois de apanhar muito para vestir a roupa), descubro que todos os presentes cirurgiões também precisavam de auxiliar. Obviamente, eu estava radiante, afinal eu não só estava auxiliando cirurgias, como eu que decidia quem seria operado, afinal, eu era o único auxiliar de uns quatro médicos. Talvez por pés na consciência, talvez pensando na possibilidade de precisar do meu auxilia novamente, ou simplesmente para ser legal, o fato é que quase todos os médicos foram muito atenciosos comigo. Me explicavam coisas que eu não fazia nem ideia do que queria dizer (tipo o melhor fio para cada plano, melhor região para cada incisão ou perigos de cada anestésico) mas eu fazia cara de compreensão e total domínio do assunto e todos ficam felizes.
Meu problema começou justamente uma da tarde (eu estava em pé desde as sete) quando eu entrei para o que seria a ultima cirurgia do dia com um cirurgião que definitivamente era o pior de todos. A cirurgia transcorreu em absoluto silêncio (tanto que nunca nem descobri que cirurgia era aquela). O silêncio só foi quebrado nos últimos minutos da cirurgia, quando a instrumentadora alfineta o cirurgião com algo sobre o fato de ele não ter me ensinado nada durante toda a cirurgia. Ele, calmamente, então resolveu me explicar como iria suturar a pele, que os pontos deveriam ser bem separados por causa d alto risco de infecção, tirou a luva, o capote e saiu do campo. Eu continuei calmamente olhando para a ferida e esperando ele voltar para fazer os tais pontos separados. Depois do trigésimo segundo, eu comecei a pensar que algo poderia estar errado, comecei a pensar que o cirurgião poderia não voltar e que talvez eu tivesse que fazer a porcaria dos pontos separados que evitariam infecção. Olhei desesperado para a técnica que, com cara de pena, perguntou minha experiência com suturas. Eu falei que toda a minha experiência consistia em fechar uma traqueostomia mal feita em um cachorro da fisiologia para a professora não brigar comigo. A técnica soltou um consolador “pois se vire”.
O fato é que eu fiz a tal sutura. Sobrevivi (espero que o paciente também) e recebi até um elogio do médico que passou de longe para ver como tinha ficado e comentar de novo sobre o fato dos pontos estarem separados. Depois dessa, alguma outras vieram. Já suturei mordida de porca prenha (o pontos também foram separados), já suturei enquanto minha paciente comentava sobre a bunda do meu auxiliar, vítimas de briga de gang, de torcida e, principalmente de casal (o homem, sempre). Posso não ser um cirurgião nato, mas histórias de sutura eu tenho. E agora que eu to no terceiro ano.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Sobre vídeos e arritmias
Ainda curtindo minhas férias. Nesse exato momento estou postando de um cyber café que tem uma decoração ótima um excelente pão de queijo que demora quarenta minutos para ficar pronto e um café vienense que custa R$ 12,00 e parece um café com leite que eu faço em casa (estou me sentindo um crítico gastronômico).
Como eu acabei de pedir uma coca e a conta para o garçom, terei que ser breve e continuarei com a temática piadas-que-só-estudante-de-medicina-acha-legal com um vídeo antigo mas que eu quase morri de rir quando assisti; além de ser algo de extrema utilidade para a minha formação intelectual:
http://www.youtube.com/watch?v=zvWzm7ICzhw
Espero ter retomado meu interesse pelo mundo virtual na próxima postagem, afinal estou quase voltando aquilo que eu acho ser a vida real.
Como eu acabei de pedir uma coca e a conta para o garçom, terei que ser breve e continuarei com a temática piadas-que-só-estudante-de-medicina-acha-legal com um vídeo antigo mas que eu quase morri de rir quando assisti; além de ser algo de extrema utilidade para a minha formação intelectual:
http://www.youtube.com/watch?v=zvWzm7ICzhw
Espero ter retomado meu interesse pelo mundo virtual na próxima postagem, afinal estou quase voltando aquilo que eu acho ser a vida real.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Sobre Tédio e UTI
Sim, devo começar pedindo desculpas. Logo no meu segundo post, um atraso. Encontro-me hoje postando em uma lan-house de terra paradisíaca onde internet é algo perfeitamente dispensável (PHB-PI). Como também não tinha muito tempo para escrever, segue um texto que escrevi para minha anfitriã nessa longínqua terra quando ela encontrava-se um pouco doente e muito entediada (ou o contrário, não sei):
10 Maneiras de se divertir na UTI
1- Desconecte os eletrodos e, quando os médicos chegarem, grite: “TE PEGUEI!”;
2- Pergunte para o cara do raio X se você ficou bem na foto;
3- Aponte para o monitor e grite: “Esse programa é mais chato que o Faustão”;
4- Diga que não gostou do sabor da parenteral e diga que, no dia seguinte, prefere grelhados;
5- Quando injetarem qualquer coisa em você, diga: “Noooossa! Esse bagulho dá a mó onda”;
6- Grite “peep” repetidamente e, quando perguntarem, diga que aprendeu com a bomba de infusão;
7- Pergunte se pode usar o ventilador para encher balões;
8- Reclame que a cor das meias de compressão não combina com sua batinha super sexy;
9- Peça um concentrado de hemácias com a desculpa de que não pode usar blush;
10- Se reclamarem*, diga que fez isso pela humanização da UTI.
*Texto original continha uma pequena referência espacial que resolvi omitir nessa versão.
Té amanhã, acho...
10 Maneiras de se divertir na UTI
1- Desconecte os eletrodos e, quando os médicos chegarem, grite: “TE PEGUEI!”;
2- Pergunte para o cara do raio X se você ficou bem na foto;
3- Aponte para o monitor e grite: “Esse programa é mais chato que o Faustão”;
4- Diga que não gostou do sabor da parenteral e diga que, no dia seguinte, prefere grelhados;
5- Quando injetarem qualquer coisa em você, diga: “Noooossa! Esse bagulho dá a mó onda”;
6- Grite “peep” repetidamente e, quando perguntarem, diga que aprendeu com a bomba de infusão;
7- Pergunte se pode usar o ventilador para encher balões;
8- Reclame que a cor das meias de compressão não combina com sua batinha super sexy;
9- Peça um concentrado de hemácias com a desculpa de que não pode usar blush;
10- Se reclamarem*, diga que fez isso pela humanização da UTI.
*Texto original continha uma pequena referência espacial que resolvi omitir nessa versão.
Té amanhã, acho...
domingo, 10 de janeiro de 2010
Sobre Adolescentes e Responsabilidades
Você se acha maduro? Você se acha preparado para tudo que você está vivendo? Começo meu primeiro texto desse blog com essa pergunta, pois na última reunião da turma, um colega de classe (às quatro da manhã e dentro de uma piscina), no dia do seu aniversário de vinte anos tentava argumentar para mim que ele era um ser muito maduro, que era mais maduro que eu. Enquanto ele argumentava, eu chegava à conclusão que eu não era nada maduro realmente nadinha. Não que eu estivesse escutando os complexos argumentos dele, mas sim porque eu era exatamente igual a ele. Mais importante que isso, por que também tinha os mesmos vinte anos. Pensando sobre maturidade, eu comecei a pensar se eu era realmente maduro o suficiente para ser um estudante de medicina (dessa vez, já estávamos fora da piscina, esperando um tempo para podermos entrar no carro enquanto discutíamos sobre outro colega que tinha exagerado um pouco no álcool). Será que eu tinha maturidade o suficiente para lidar com a responsabilidade de aprender a ser médico ou eu ainda pensava que eu tinha que estudar porque se eu n estudasse minha mãe poderia brigar comigo? Será que eu estou preparado para encarar os pacientes da forma correta sem que eles me façam perder o controle?
Lembrei-me, então do meu primeiro dia de aula. Certamente eu era uma criança infinitamente feliz, um menino careca e um bocado perdido naquele mundo que parece tão grande. Mas, apesar de universitário, eu ainda era um garoto doido pra chegar em casa e contar as novidades do dia para meus pais na mesa de almoço. Lembrei-me, também (já chegando em casa e após um sermão da minha mãe),que por mais insensível que seja a pessoa (ou seja, mesmo os projetos de ortopedistas e patologistas), algumas coisas simplesmente ficam marcadas. Ao contrário do que se imagina, o primeiro grande choque que sofre o estudante de medicina não é ter contato com cadáveres, mas sim observar que aquele contato tornou-se algo normal; nada causa mais confusão a um estudante que o momento em que ele está no laboratório de anatomia estudando, segurando uma peça e ele nota que aquilo se transformou realmente apenas uma peça. Depois disso, muitos são os choques que vão lentamente acontecendo; o encontro com seu animal de estimação depois de ter sacrificado um cachorro na aula de fisiologia, sentir-se incapaz em um pronto-socorro, não entender o mundo de um paciente psiquiátrico e, claro, morte. Normalmente, quando eu penso nesses fatos, a única dúvida que me vem é: Eu os encarei de forma correta?
Tudo isso pode parecer excessivamente dramático, e realmente é. Mas isso é como se vê a vida aos vinte anos: tudo, e principalmente os dramas, são muito aumentados. Sobriedade é algo raro. E são esses pequenos (minha mãe costuma dizer que nossa geração não é mais tão pequena) adolescentes que entram para um curso de medicina. Normalmente sem nem sequer saber direito o que quer fazer da vida.
Por outro lado, talvez esse seja o grande charme que tanto atrai os estudantes de medicina e que transforma nosso curso em nossa vida (acho que isso pode virar o próximo texto). Talvez viver em um mundo que você não consiga entender e dominar tenha sim certo charme. Ou talvez eu simplesmente não seja maduro suficiente para entender isso.
Lembrei-me, então do meu primeiro dia de aula. Certamente eu era uma criança infinitamente feliz, um menino careca e um bocado perdido naquele mundo que parece tão grande. Mas, apesar de universitário, eu ainda era um garoto doido pra chegar em casa e contar as novidades do dia para meus pais na mesa de almoço. Lembrei-me, também (já chegando em casa e após um sermão da minha mãe),que por mais insensível que seja a pessoa (ou seja, mesmo os projetos de ortopedistas e patologistas), algumas coisas simplesmente ficam marcadas. Ao contrário do que se imagina, o primeiro grande choque que sofre o estudante de medicina não é ter contato com cadáveres, mas sim observar que aquele contato tornou-se algo normal; nada causa mais confusão a um estudante que o momento em que ele está no laboratório de anatomia estudando, segurando uma peça e ele nota que aquilo se transformou realmente apenas uma peça. Depois disso, muitos são os choques que vão lentamente acontecendo; o encontro com seu animal de estimação depois de ter sacrificado um cachorro na aula de fisiologia, sentir-se incapaz em um pronto-socorro, não entender o mundo de um paciente psiquiátrico e, claro, morte. Normalmente, quando eu penso nesses fatos, a única dúvida que me vem é: Eu os encarei de forma correta?
Tudo isso pode parecer excessivamente dramático, e realmente é. Mas isso é como se vê a vida aos vinte anos: tudo, e principalmente os dramas, são muito aumentados. Sobriedade é algo raro. E são esses pequenos (minha mãe costuma dizer que nossa geração não é mais tão pequena) adolescentes que entram para um curso de medicina. Normalmente sem nem sequer saber direito o que quer fazer da vida.
Por outro lado, talvez esse seja o grande charme que tanto atrai os estudantes de medicina e que transforma nosso curso em nossa vida (acho que isso pode virar o próximo texto). Talvez viver em um mundo que você não consiga entender e dominar tenha sim certo charme. Ou talvez eu simplesmente não seja maduro suficiente para entender isso.
Sobre Apresentações e Divagações
Sim, janeiro. Começarei a escrever esse blog como parte daquelas tradicionais resoluções de ano novo (claro que perder peso, estudar mais, escrever um livro, plantar uma árvore também estão inclusos). Espero que entre as resoluções de vocês esteja ler mais blogs interessantes.
Para aqueles que não me conhecem meu nome é Felipe Melo (como em todo canto existem pelo menos uns três Felipes, normalmente sou apenas o Melo) estudante de medicina da Universidade Federal do Piauí e atualmente esperando para começar o temido sétimo período (cardio, nefro, pneumo, gineco, obstetrícia e cirúrgica I - Medo).
Mas tirando essa parte chata, o que realmente vai importar para vocês que vão ler o blog é o fato de, quando eu comecei a ter contato com pacientes, eu notei o quanto o estudante de medicina é um ser peculiar, sendo esse peculiar no sentido mais amplo da palavra, aquele que vai desde o estranho, esquisito, engraçado, até o curioso e fora do padrão. Algumas coisas só se pode entender sendo estudante de medicina, e é sobre essas coisas que eu pretendo falar nesse blog, aqueles fatos que despertam coisas estranhas e que não dá pra se entender exatamente o que foi sentido. Aqueles fatos que as vezes até se entende, mas não se entende o que o originou e muitas outras coisas do tipo que se eu for continuar citando o texto realmente vai começar a ficar muito confuso.
Quanto à logística, esse blog terá atualizações semanais. Agora, por outro lado, não garanto nenhuma regularidade sobre os textos. Eles serão sobre os mais variados temas, desde reflexões estranhas e divagações, até piadas bobas e coisas curiosas. Espero que vocês se divirtam tanto lendo esses textos quanto eu me divirto escrevendo e até vivendo algumas situações.
Para aqueles que não me conhecem meu nome é Felipe Melo (como em todo canto existem pelo menos uns três Felipes, normalmente sou apenas o Melo) estudante de medicina da Universidade Federal do Piauí e atualmente esperando para começar o temido sétimo período (cardio, nefro, pneumo, gineco, obstetrícia e cirúrgica I - Medo).
Mas tirando essa parte chata, o que realmente vai importar para vocês que vão ler o blog é o fato de, quando eu comecei a ter contato com pacientes, eu notei o quanto o estudante de medicina é um ser peculiar, sendo esse peculiar no sentido mais amplo da palavra, aquele que vai desde o estranho, esquisito, engraçado, até o curioso e fora do padrão. Algumas coisas só se pode entender sendo estudante de medicina, e é sobre essas coisas que eu pretendo falar nesse blog, aqueles fatos que despertam coisas estranhas e que não dá pra se entender exatamente o que foi sentido. Aqueles fatos que as vezes até se entende, mas não se entende o que o originou e muitas outras coisas do tipo que se eu for continuar citando o texto realmente vai começar a ficar muito confuso.
Quanto à logística, esse blog terá atualizações semanais. Agora, por outro lado, não garanto nenhuma regularidade sobre os textos. Eles serão sobre os mais variados temas, desde reflexões estranhas e divagações, até piadas bobas e coisas curiosas. Espero que vocês se divirtam tanto lendo esses textos quanto eu me divirto escrevendo e até vivendo algumas situações.
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