quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sobre Sexo e Suturas

Bem, meu atraso dessa vez foi tão absurdo q eu vou me abster de comentar, o que importa é que, pelo menos nos próximos quinze dias, eu acho que poderei viver um pouco. Sendo assim, aproveito para postar algo novo.
Na verdade, eu estou achando meu blog meio fora de moda, meio out, ou outch. O fato é que desde a Bruna Surfistinha a moda é blog sobre sexo. A onda agora é falar sobre os prazeres da carne, claro, de forma poética e de muito bom gosto. Se for isso que querem, vamos falar sobre virgindade, as virgindades de um estudante de medicina. Esse será o primeiro post dessa série certamente nada regular.
Para começar, a primeira sutura, certamente é algo como perder a virgindade. Começa que todos nós temos muita vontade de fazer nossa primeira sutura, apesar disso, morremos de medo de fazer tudo errado. Na hora, então, mais parecido ainda: trememos como varas verdes, fazemos tudo diferente do que planejamos, apesar de termos planejado muito e no fim das contas, o resultado sempre sai aquem do planejado e além do esperado. A coisa é tão tensa, que todos acabam tendo histórias sobre esse momento. Obviamente, eu, no melhor estilo “tudo de bizarro acontece comigo” também tenho histórias.
Lembro-me claramente da minha primeira sutura (falando assim eu pareço tão velho... mais especificamente aquele avô de desenho animado)... vendo hoje, depois que tudo passou e ficou tudo bem (espero que tenha ficado, porque eu nunca voltei pra ver como estava o paciente) parece até engraçado, mas na hora foi, no mínimo, desesperador, chego a sentir pena de mim quando relembro o momento.
Tudo começou com um telefonema de um tio meu perguntando se esse pequeno garoto que vos fala, então cursando o terceiro período já havia pagado técnica cirúrgica. Diante da minha negativa ela ficou em silêncio por alguns segundo... E perguntou se sobre anatomia. Agora diante da minha afirmativa (nossa... que menino adiantado, já pagou até anatomia) ele me convidou para auxiliar um(s) cirurgia(s) dele. Claro que eu não entenderia nada, mas eu aceitei sem pensar, afinal eu seria a pessoa mais importante do mundo quando chegasse no dia seguinte, na aula de micro, dizendo que tinha entrado em uma cirurgia.
Quando eu cheguei no Centro Cirúrgico (depois de apanhar muito para vestir a roupa), descubro que todos os presentes cirurgiões também precisavam de auxiliar. Obviamente, eu estava radiante, afinal eu não só estava auxiliando cirurgias, como eu que decidia quem seria operado, afinal, eu era o único auxiliar de uns quatro médicos. Talvez por pés na consciência, talvez pensando na possibilidade de precisar do meu auxilia novamente, ou simplesmente para ser legal, o fato é que quase todos os médicos foram muito atenciosos comigo. Me explicavam coisas que eu não fazia nem ideia do que queria dizer (tipo o melhor fio para cada plano, melhor região para cada incisão ou perigos de cada anestésico) mas eu fazia cara de compreensão e total domínio do assunto e todos ficam felizes.
Meu problema começou justamente uma da tarde (eu estava em pé desde as sete) quando eu entrei para o que seria a ultima cirurgia do dia com um cirurgião que definitivamente era o pior de todos. A cirurgia transcorreu em absoluto silêncio (tanto que nunca nem descobri que cirurgia era aquela). O silêncio só foi quebrado nos últimos minutos da cirurgia, quando a instrumentadora alfineta o cirurgião com algo sobre o fato de ele não ter me ensinado nada durante toda a cirurgia. Ele, calmamente, então resolveu me explicar como iria suturar a pele, que os pontos deveriam ser bem separados por causa d alto risco de infecção, tirou a luva, o capote e saiu do campo. Eu continuei calmamente olhando para a ferida e esperando ele voltar para fazer os tais pontos separados. Depois do trigésimo segundo, eu comecei a pensar que algo poderia estar errado, comecei a pensar que o cirurgião poderia não voltar e que talvez eu tivesse que fazer a porcaria dos pontos separados que evitariam infecção. Olhei desesperado para a técnica que, com cara de pena, perguntou minha experiência com suturas. Eu falei que toda a minha experiência consistia em fechar uma traqueostomia mal feita em um cachorro da fisiologia para a professora não brigar comigo. A técnica soltou um consolador “pois se vire”.
O fato é que eu fiz a tal sutura. Sobrevivi (espero que o paciente também) e recebi até um elogio do médico que passou de longe para ver como tinha ficado e comentar de novo sobre o fato dos pontos estarem separados. Depois dessa, alguma outras vieram. Já suturei mordida de porca prenha (o pontos também foram separados), já suturei enquanto minha paciente comentava sobre a bunda do meu auxiliar, vítimas de briga de gang, de torcida e, principalmente de casal (o homem, sempre). Posso não ser um cirurgião nato, mas histórias de sutura eu tenho. E agora que eu to no terceiro ano.

3 comentários:

  1. "Sobre sexo e suturas"... ri litros com o post ein Melo
    imagino q a situação deve ter sido bem TENSA msm
    mas tpw... pelo q vejo, n houve maiores transtornos (como a história do cachorro da fisiologia... HAUHUE)

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  2. Adorei esse blog!
    a primeira sutura, a gt não esquece...rsrsrs
    ;)

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